quinta-feira, 30 de abril de 2026
"MESSIANISMO E CONFLITO SOCIAL"
“Messianismo e Conflito Social”, de Maurício Vinhas de Queiroz, expressa em seu subtítulo – “A guerra sertaneja do Contestado: 1912-1916” -- o tema discutido no trabalho, que foi publicado em 1966 pela Editora Civilização Brasileira. Segundo o autor, no auge do movimento “o território ocupado pelo jaguncismo compreendia 28.000 quilômetros quadrados, ou seja, uma extensão (...) aproximadamente igual a Alagoas”. Destaca que “viviam nesse território 20.000 fanáticos. Até o fim do movimento, destes haviam morrido 6.000 (...) a bala, por doença, fome ou degolamento”, abrangendo homens, mulheres e crianças.
O livro aborda, de maneira objetiva, o conflito ocorrido em boa parte do território atual de Santa Catarina que na época ainda era objeto de disputa entre esse Estado e o do Paraná, cujas divisas só foram decididas pelo Acordo estabelecido entre as duas unidades da Federação em 20 de outubro de 1916, após o término da “guerra sertaneja”.
Tal guerra se estendia desde 1912, ano em que ocorreu o primeiro confronto, o de Irani, entre os caboclos e as forças militares mobilizadas pelas lideranças políticas a serviço dos grandes proprietários, receosos das ameaças ao seu patrimônio pela concentração de crentes cada vez maior na área que ocupavam. Para lá os crentes se dirigiram, abandonando suas posses ou propriedades, a fim de seguir José Maria. No confronto, este monge morreria assim como o coronel João Gualberto, comandante das tropas militares enviadas para extinguir o movimento (cujo funeral em Curitiba causou grande comoção na população, dada a relevância política desse militar no Estado).
O movimento prosseguiu no território em questão, pois os revoltosos se concentrariam em outros locais dele, para onde as forças aumentadas da repressão então se dirigiram, resultando em confrontos com grande número de vítimas. Os mais memoráveis são os de Taquaruçu, Caraguatá, Bom Sucesso, São Sebastião e Pinheiros, Caçador e Santa Maria, todos esses ao longo do ano de 1914. Posteriormente, ainda ocorreriam embates em São Miguel, Pedras Brancas e Timbó (Cidade Santa de São Pedro).
“Messianismo e Conflito Social”, além de ser um relato baseado nos fatos históricos conhecidos (sempre indicando o grau de confiabilidade das informações), registra a opinião dos caboclos que participaram desses fatos, muitos deles entrevistados pelo autor, o que torna a obra única e mais relevante (em 1966 fazia 50 anos do término do conflito e assim havia ainda muita gente viva). A pesquisa se baseou também em processos judiciários e inquéritos, jornais da época etc
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